Louis Vuitton com sua coleção Cruise 2017 inspiração Oscar Niemeyer

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O tão aguardado desfile da grife francesa aconteceu neste sábado (28/05). Esperado por muitos fashionistas e editores de moda, a grife apresentou sua coleção Cruise 2017 em uma apresentação repleta de celebridades.

No final das contas, foi um mega desfile, com a singularidade do diretor criativo Nicolas Ghesquière em uns dos espaços mais lindo do Rio de Janeiro MAC (Museu de Arte Contemporânea).

Nicolas Ghesquière em uns dos espaços mais lindo do Rio de Janeiro MAC.
Nicolas Ghesquière em uns dos espaços mais lindo do Rio de Janeiro MAC./foto: Blog Girl Power

O que Oscar Niemeyer tem a ver com a Louis Vuitton?

No momento, tudo. A marca francesa decidiu apresentar sua coleção Cruise 201, no Rio de Janeiro, em uma das obras mais emblemáticas do arquiteto brasileiro, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o MAC.

Em outubro do ano passado, o diretor criativo da grife, Nicolas Ghesquière, percorreu cidades do Brasil em busca de inspiração. E a encontrou.

Conhecido por suas criações de estilo futurista, o estilista elegeu a arquitetura de Niemeyer como um dos pontos de partida para um mega desfile, que já atrai todos os olhares da moda mundial para o Rio de Janeiro.

A grife francesa Louis Vuitton apresentou sua coleção Cruise 2017 em um evento estrelado.

Pontualmente às 16h15, sob a luz do pôr do sol, as modelos subiram à passarela vestindo looks inspirados na arquitetura de Oscar Niemeyer e na natureza do Rio de Janeiro, rica por suas cores. O trabalho do arquiteto brasileiro esteve presente de diferentes formas – nos decotes, recortes e comprimentos enviesados.

Diante da paisagem deslumbrante da baía de Guanabara, onde o museu foi instalado há duas décadas, fashionistas conferiram de perto as novas peças criadas pelo estilista Nicolas Ghesquière, que se apaixonou pelo Rio de Janeiro no ano passado.

As roupas trazem recortes, modelagens e sneakers de neoprene que fazem eco ao urbanismo futurista que encontra ecos na obra de Niemeyer. Ghesquière também olhou para as roupas de praia, para o sexy, natureza e misturou tudo em uma “hot mess”, como ele mesmo gosta de dizer.

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As roupas trazem recortes urbanismo futurista.
As roupas trazem recortes urbanismo futurista./foto: FFW

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Aliás, a palavra preferida de Nicolas no Brasil é gambiarra, ou seja, ele entendeu tudo. E esse passeio por aqui resultou em um desfile com as roupas mais fluídas e com mais movimento, diferente do que ele vem fazendo desde que assumiu a direção criativa da Louis Vuitton. É uma coleção viva e contemporânea.

“No Rio de Janeiro, o que mais vi foram o movimento e a energia explosiva que se situam em algum lugar entre o modernismo e a tropicalidade. Fiquei fascinado com a constante dualidade entre a natureza e o urbanismo e a explosão pictórica que ela cria. Para mim, a questão principal era como incorporar em minha coleção todos esses elementos que são parte da cultura brasileira, sem esquecer que sou apenas um visitante que traz suas próprias referências culturais parisienses e francesas ao momento”.

A vitalidade, energia, multiculturalismo, liberdade, urbanismo futurista e romantismo do país também se fazem presente na criação de Nicolas. Na passarela, destaque para os vestidos de silhueta aerodinâmica, estampa de listras que alongam a silhueta, saias bordadas e confeccionadas à maneira de uma toalha de praia, e para os thongs modernos e sneakers de neoprene que fazem referência a uma heroína em constantemente em movimento.

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Os acessórios foram um espetáculo à parte. Bolsas ultra coloridas entraram em cena nos mais variados formatos. Além do modelo que faz referência à clássica Speed, outras it bags da marca apareceram revisitada. Esse foi o caso da baú Epi Leather, que inclusive ganhou uma versão com shape de rádio.

Baú Epi Leather versão com shape de rádio.
Baú Epi Leather versão com shape de rádio./foto: FFW

Toda a apresentação, que durou cerca de 15 minutos foi acompanhada de perto por um time estrelado. Na primeira fila, estavam a atriz fracesa Catherine Deneuve, a atriz sueca Alicia Vikander – musa da grife -, o ator e rapper norte-americano Jaden Smith, além das brasileiras Alessandra Ambrosio, Isabeli Fontana, Fernanda Motta, Marina Ruy Barbosa, Sabrina Sato, Cleo Pires e Sophie Charlotte, primeira embaixadora da grife no Brasil. Todas vestindo looks da grife.

Ao todo o desfile reuniu cerca de 700 convidados, sendo 80% deles estrangeiros. Que seguiu para uma festa no Parque Lage armada pela grife.

Na trilha criada por Michel Gaubert, a banda francesa Zombie Zombie

Inspiração

Como a locação já indica, Nicolas Ghesquière se inspirou no Brasil, claro, mas a interpretação do estilista veio mais em um conceito de sportwear urbano do que no tropicalismo que costumamos ver. O diretor criativo da grife se encantou pela “explosão”, a vibração que sentiu por aqui, por isso muitos itens da coleção trazem essa referência à velocidade, fora a cartela de cores vivas, que no final do desfile passa para tons neutros, um lado mais parisiense.

O cearense Aldemir Martins (1922 – 2006) representou na coleção a vitalidade do Nordeste, vista nas combinações de cores que Aldemir usava para pintar suas obras de fauna e flora. Uma de suas pinturas mais famosas, “A Fera” (1969), uma homenagem à Pelé, aparece em uma bolsa com jogadores de futebol.

Homenagem à Pelé
Homenagem à Pelé./foto: FFW

Em uma visita ao Masp, Ghesquière viu a exposição “Coleção Rhodia”, um acervo com 79 obras criadas nos anos 60 por artistas brasileiros. Como nos contou Alexia Niedzielski, fundadora da revista “System” e que acompanhou o projeto desde o início, a mostra foi o ponto de partida para a coleção.

“Este lugar me inspirou de imediato”, disse Ghesquière, em comunicado à imprensa. “Com a coleção , descobriremos a visão de Oscar Niemeyer.” Apaixonado pela cultura brasileira, o estilista visitou parques, museus e cartões-postais cariocas antes de desenhar a linha. Também esteve em Inhotim, em Minas Gerais, e em Brasília, onde conheceu de perto diversos projetos do arquiteto, incluindo o Palácio Itamaraty.

“Admiro muito o poder da convicção de Oscar Niemeyer. Sua visão, sua radicalidade, até sua utopia. A possibilidade de apresentar uma coleção de moda em um espaço tão arquitetonicamente poderoso é uma experiência sensorial”, diz o designer. “No Rio de Janeiro, o que mais vi foram o movimento e a energia explosiva que se situam em algum lugar entre o modernismo e a tropicalidade. Fiquei fascinado com a constante dualidade entre a natureza e o urbanismo e a explosão pictórica que ela cria.” Nicolas Ghesquière

"Admiro muito o poder da convicção de Oscar Niemeyer. Sua visão, sua radicalidade, até sua utopia".
“Admiro muito o poder da convicção de Oscar Niemeyer. Sua visão, sua radicalidade, até sua utopia”./foto: Correio do Brasil

Fechado para exposições, o MAC (Museu de Arte Contemporânea) de Niterói virou palco de um dos desfiles mais aguardados do ano.

Um dos ícones da arquitetura modernista brasileira, com o formato de um disco voador, o MAC foi construído em 1991 e inaugurado em 1996. Fica em um morro em frente à baía de Guanabara e abriga a coleção de João Sattamini, que conta com cerca de 1.400 peças de artistas como Hélio Oiticica, Lygia Clark e Antonio Dias.

Está fechado para reformas há mais de um ano e, como contrapartida por sediar o evento, deve receber da Louis Vuitton a quantia de R$ 1,5 milhão. Após o desfile, a grife apoiará a programação artística do MAC por um ano, realizando quatro exposições. A apresentação marca ainda a celebração dos 20 anos de aniversário do museu e a sua reinauguração ao público.

Nicolas Ghesquière

Nicolas Ghesquière

Após o desfile, ele recebeu parte da imprensa e alguns convidados em uma área no andar de cima do museu. Simpático, conversou e tirou fotos com jornalistas e clientes, sempre sorridente. Após um jantar com amigos próximos, como o fotógrafo Karim Sadli e a stylist Marie-Amelie Sauvé, ele foi a festa after-show da Vuitton no Parque Lage, onde ficou em uma área exclusiva junto aos outros convidados especiais, como Catherine Deneuve.

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